quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Intervenções, uma cachoeira sem fim


Gostaria de abordar um assunto muito discutido na humanização, porém desconhecido pelas gestantes que são as terriveis intervenções no parto.

Muitas mulheres quando engravidam pensam somente nos cuidados que ela deve tomar na gravidez, deixando de lado todo o resto que envolve uma gestação. O parto é um evento tão importante quanto a própria concepção. É o evento em que mãe e bebê se conectam da forma mais instintiva possível. É a primeira sintonia entre os dois depois da gestação.

A mulher precisa estar comprometida e informada de todo o processo que irá passar. Infelizmente poucas mulheres buscam essa informação, deixando para a equipe médica decidir o que fazer na hora H.

A indústria da cesárea no Brasil está muito poderosa. A mulher que decide ter um parto normal, se não se informar ou ela cai em uma cesárea desnecessária, ou ela cai em um parto normal extremamente agressivo, cheio de intervenções.

As intervenções começam já na internação, com a tricotomia (raspagem dos pêlos pubianos), seguida pela enema (lavagem intestinal) e o famoso sorinho na veia. Esse sorinho está cheio de ocitocina sintética. O corpo da mulher no trabalho de parto libera ocitocina natural que ajuda nas contrações uterinas, abraçando o bebê e fazendo com que ele seja empurrado para baixo. Ela também é responsável pela descida do leite. Alguns especialistas a chamam de hormônio do amor, pois é o hormônio do prazer.

O corpo da mulher em trabalho de parto passa por várias fases e toda fase tem seu tempo. A ocitocina sintética acelera o trabalho de parto, fazendo com que as contrações uterinas sejam muito mais fortes do que as sentidas quando o corpo as libera gradativamente. Consequentemente a mulher sente dores muito mais fortes. Com todo esse procedimento invasivo, ainda temos os médicos que resolvem fazer a ruptura da bolsa das águas, acreditando que isso acelera ainda mais o trabalho de parto.

A mulher está lá toda sensível, passando por todas essas intervenções muitas vezes sozinha. Enfim, quando ela acha que não aguenta mais alguém oferece a opção de analgesia, que pode ajudar em alguns casos, mas em outros tende a atrapalhar. A analgesia sendo bem aplicada, no momento certo, pode ajudar a mulher a descansar um pouco no trabalho de parto e ter forças para aguentar o expulsivo, no qual ela precisa estar descansada para fazer força. O que pode acontecer após a analgesia é o trabalho de parto estacionar fazendo com que tudo pare por mais ou menos duas horas que é o tempo de duração de uma boa analgesia. Quando não se tem uma equipe humanizada, que sabe conduzir um trabalho de parto, os médicos não esperam esse trabalho de parto engrenar de novo, indicando a mulher uma cesárea de emergência, com o bebê baixo no canal de parto e a mulher com 8 cm de dilatação. No hospital público, a opção da analgesia não rola, entrando assim as manobras franks para fazer com que o parto seja rápido e eficiente. Entre as manobras está a de kristeller (manobra de expressão no fundo do útero, que visa empurrar a criança em direção à vagina) e a famosa episiotomia (o corte no períneo para facilitar a passagem do bebê). Essa última manobra desnecessária, prejudica o assoalho pélvico, gerando consequências futuras a parturiente. O bebê nesse processo de nascimento precisa ser colonizado pelas bactérias da mãe que se dá pela respiração e pelo contato com o ânus.
Por último vem o fórceps ou vácuo-extrator que auxilia na saída do bebê.
Por conta de tudo isso, ficou impregnado na cultura feminina de que o parto normal é muito doloroso, fazendo então a cultura da cesárea crescer assustadoramente em todo o País.
O que as mulheres PRECISAM saber é que todos esses procedimentos são invasivos e DESNECESSÁRIOS.

COMO FUGIR DISSO?
Para fugir disso tudo, a mulher precisa se informar muito durante a gestação, procurar um PROFISSIONAL menos intervencionista, que dê a opção da mulher se exercitar no trabalho de parto (pois a mulher ativa, que se exercita durante o parto tem um parto mais rápido e menos indolor). Ter uma doula ajuda diminuir essa cachoeira de intervenção. Frequentar grupos de apoio ao parto/maternindade é uma excelente forma de se obter conhecimento, bem como ter contatos com outras gestantes, partilhar experiências e conhecer profissionais adeptos ao parto natural humanizado.
O parto é um ato fisiológico, que resgata todo o poder do feminismo, do instinto. A mulher é capaz de passar por isso naturalmente sozinha sem intervenção. O médico está lá para assistir, acompanhar apenas, um mero espectador, pois o processo é da mulher, ela é protagonista disso tudo. Quanto mais intervenção a mulher sofrer no trabalho de parto mais chances dele ser dolorido, traumático e acabar em cesariana.
Evidências cientificas comprovam que a mulher que pari de forma natural, tanto ela, quanto o bebê se recuperam mais rápido.
Mulheres, busquem o respeito ao parto, busquem profissionais que respeitem o tempo do seu parto, que te respeitem como ser humano, que respeitem seu bebê e todo o seu PROCESSO.
Maiores informações no site amigas do parto:

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