terça-feira, 31 de maio de 2011

Meu relato de gestação, parto e pós parto

Vou começar falando um pouco do meu primeiro parto.
Foi uma gestação gemelar muito querida e desejada.  Engravidei naturalmente. Acho que o único inconveniente é que foi "assistida" pelo médico ao extremo.  Sabe quando você se sente plena, completa, radiante, no momento certo, na hora certa mas com o médico errado? 
A gestação era tratada pelo médico quase como que uma doença. Fiquei em repouso absoluto para "segurar" minhas bebês o máximo possivel. Não me informei em nada sobre os diversos tipos de parto, me entreguei totalmente sem ter nenhuma informação a respeito. Aprendi muito com a experiência.

Após inúmeras consultas semanais, entrei em trabalho de parto com 34 semanas e 2 dias. 


A CIRURGIA CESARIANA

Fui para o centro cirúrgico, um lugar frio, inóspito e com cara de açougue - todo em azulejo branco, com decoração metálica.
Na cesárea, o médico cortou uma veinha que me acarretou uma leve hemorragia na cirurgia, mas contornou isso rapidamente. Perdi muito sangue, mas não a ponto de precisar de transfusão, fiquei anêmica.
Fui para o quarto apagada e só acordei no dia seguinte. Detalhe, eram 13 hs.
Tive um pós cirúrgico péssimo, que não desejo nem ao meu pior inimigo. Demorei a ficar em pé por ter perdido muito sangue, tive alergia da linha usada no ponto seguida de inflamação, um horror!!
Minhas filhas ficaram na UTI neo natal por quinze dias para ganharem peso, pois eram prematuras e nasceram com peso baixo. A Júlia com 1.950 e a Lívia com 1.980.
Passei pela recuperação da cesárea ficando o dia todo no hospital duante os quinze dias para garantir a amamentação o máximo de tempo possivel e evitar a fórmula.
Mesmo assim, passei por tudo isso com um sorriso de orelha a orelha, por ser a mais nova mãe do pedaço. 
Minhas filhas são lindas e cheias de saúde!
Valeu a experiéncia, mas na questão cesariana, foi um horror! Acho que não tinha outra alternativa, pois elas estavam transversas, se eu tivesse me informado melhor, levado a gestação com hábitos saudáveis, me exercitado, talvez seria diferente. 


PRÉ GESTAÇÃO

Após cinco anos, e muita insistencia das minhas princesas, decidimos ter uma segunda gestação e um terceiro filho. Tinha parado de tomar o anticoncepcional, estava evitando com presenrvativos e tabelinha até digerir melhor a idéia de um outro filho, limpar o organismo e me preparar para um novo bebê. Em uma única vez que deixamos a proteção de lado engravidei. O mais interessante, foi que assim que acabou a relação, tive a certeza de que estava grávida, mas não comentei com meu marido. Fui dormir e sonhei que estava com um bebê em meus braços e que ele era "meu". Ao acordar, comentei com ele e já ficou todo entusiasmado. Realmente fiquei grávida naquele dia, naquela noite. Foi como um aviso de que uma nova alma estava chegando, uma nova luz para alegrar ainda mais nossos dias e completar a nossa familia.

A GESTAÇÃO


Por ter passado pela experiência da cesárea, decidi que iria ter minha filha de parto normal. Primeiramente, tomei essa decisão pela rapidez na recuperação do parto. Isso para mim era muito importante, pois tenho duas menininhas lindas de cinco anos em casa com a corda toda para cuidar, um sobrado com escadas para limpar e ninguém para me ajudar além do Joh, meu marido, que trabalha como autônomo e não pode ficar por muito tempo em casa.   
Ter minha princesa com o obstetra que fez meu primeiro parto estava fora de questão. Tinha pavor só em pensar nele. Decidi ir atrás de outro profissional. Minha obstetra de anos não atendia mais meu convênio, descartei-a pensando que seria fácil achar outro médico. Peguei o livrinho do convênio e começei a procura. Fui pela proximidade e marquei o primeiro. A primeira consulta foi muito rápida, conversamos pouco, ele me examinou, pesou, mediu e até logo. Achei um absurdo! Uma falta de interesse em meu caso (na verdade, as mulheres procuram um médico-psicólogo, que se importe com ela e a ouça com a maior atençao - pelo menos "eu" procuro). Fui para o próximo da lista que agiu da mesma forma. Após passar por quatro médicos, um amigo nosso que é propagandista de um grande laboratório me indicou uma médica. Vi a luz no fim do túnel! Fui na primeira consulta e me deparei com o consultório lotado, quase insuportável de cheio. Pensei comigo que se está lotado é porque ela é muito foda!!! Percebi que ela era fast food... Depois de uma hora de atraso entrei na consulta. Por ter sido indicação de um amigo, o tratamento foi bem diferente dos outros, mas ainda não me sentia confortável. Ela me examinou e conversamos um pouco. Ela me pediu alguns exames de sangue como glicose, fator rh, e alguns outros, e no retorno da consulta para levar os resultados fiquei sabendo da existência do tal citomegalovirus, que no meu caso deu positivo e reagente. Não sabia nem do que se tratava, mas ela me deixou muito preocupada. Falou que eu teria grande chances de ter um bebê com alguma deformidade ou com sequelas sérias, mas não tinha como saber ao certo, precisava seguir com a gestação e acompanhar melhor com ultrasson. Fiquei desesperada! Saí aos prantos, ligando para o Joh e contado o que tinha acabado de ouvir. Ele tentou me acalmar e ligou para a medica para uma conversa racional, pois eu não estava nem um pouco raciocinando direito. As chances de um problema com o bebê existiam, mas não podiamos nos desesperar. Decidi ir atrás de informação e fui direto no google. Foi a pior besteira que já fiz na minha vida! Vi cada absurdo que me deprimiu ainda mais. Decidimos procurar  um infectologista. Na consulta, ficamos sabendo de que o cmv é um vírus que não tem cura, metade da população possui o vírus e que não se pede esse tipo de exame para gestantes, pois o risco de afetar o bebê é apenas quando o vírus está ativo, ou seja, quando você está com os sintomas, com a doença te atacando, e mesmo assim ainda há chances de não afetar diretamente o bebê. Ele fica como o vírus da herpes, inativo, mas fica lá. Ele só traz complicações para quem está debilitado, com aids ou cancer. O infectologista propos duas formas de lidar com isso, ou desencanava e aproveitava cada minuto da gestação ou endoidava e fazia vários exames, como o mapeamento do vírus no organismo.  Decidimos  levar a gestação de boa e desencanar.
Após esse episódio do susto que tive com a médica sobre o CMV, fui viajar de navio e na viagem tive um sangramento e me desesperei!!!  Estava de 8 semanas e fiquei com medo de perder o bebê por conta do CMV.  Liguei para a médica  e ela disse que o bebê tinha nidado na parede do útero, por isso o sangramento. Fiquei mais tranquila.
Tudo corria bem, mas ainda não me sentia segura em relação a medica. Na consulta seguinte, ela me examinou rapidamente e resolvi perguntar sobre o parto. Deixei claro a minha vontade sobre o parto natural e levei um balde de água fria. Obtive a seguinte resposta: 
"- podemos tentar, mas acho dificil, pois você tem uma cesárea e as chances de uma ruptura uterina são grandes. Eu prefiro não arriscar, mas vamos conversando no decorrer da gestação."  Para mim, era como se ela tivesse  dito que até o final da gestação ela me convencia de fazer uma cesárea. Ela calculou minha DPP e já deixou anotado na agendinha dela que faria minha cesárea naquela semana. Saí de lá pra nunca mais voltar!!!
Pesquisei sobre ruptura uterina e descobri que as taxas de ruptura uterina são de 0,5 % e de morte em cesariana era de 0,6%, ou seja, o risco é o mesmo,  se for analisar por porcentagem, por diferença de um por cento é mais fácil morrer na cesárea do que ter uma ruptura. Começei de novo a procura, mas como eu já estava calejada, nem me dei ao luxo de me deslocar até o consultório,  por telefone perguntava qual era a porcentagem de partos normais que aquele médico fazia, e para minha decepção, no meu plano de saúde que é medial, nenhum médico faz parto normal. Liguei em todos e nada. Me senti perdida....
Pesquisei no google sobre parto normal e achei o site da amigas do parto. Me interessei muito sobre o assunto.
No mesmo dia a noite, fui comemorar meu aniversário em um barzinho com mais dois amigos aniversariantes e encontrei uma amiga. Ela tinha tido bebê ha poucos meses. Conversamos e contei a minha dificuldade de achar um médico, e da minha vontade de ter um parto natural, e para minha surpresa, ouvi um relato maravilhoso de parto domiciliar e humanizado, tudo o que eu nunca jamais imaginaria ouvir ao vivo.
Finalmente achei o que estava procurando! Conheci o GAMA, ufa!
Achei minha médica, a Dra. Andrea Campos por indicação da Ana Cris. 
A primeira consulta foi maravilhosa, ficamos mais de uma hora conversando sobre a gestação e o parto, alguem que me ouvia, me compreendia! 
Ficamos muito tentados a fazer um parto domiciliar. A gestação foi evoluindo e tudo estava bem, até fazer um ultrasson com 22 semanas que acusou brida aminiótica. Mais uma vez fui ao google e vi coisas piores que o CMV.
Liguei para a Dra. Andrea que me tranquilizou e pediu para ver o exame. Por enquanto não deveriamos nos preocupar, só ficar atentas no próximo ultrasson.
O tempo passou, a Duda e a barriga cresceram e tudo corria bem. 
Estava ansiosa para o parto!
Fomos decidir a equipe que iria nos acompanhar nesse momento tão esperado pela nossa familia.
Queria muito ter nossa bebê com a Ana Cris, pois foi uma pessoa com quem me identifiquei e me apaixonei! Só quem conhece aqueles olhos azuis sabe do que estou falando....  fazia questão de te-la comigo nesse momento. 
Escolhemos também a nossa doula, a Cris Balzano. Aquela voz suave sabe fazer agente relaxar.
Ficamos em dúvida sobre o pediatra, pensei em chamar a Ana Paula Caldas, mas enrolei tanto para decidir que acabou não dando tempo. Cacá ou Ana Paula?
No último ultrasson, a médica responsável disse que a questão da brida não era mais visivel. Ela disse que provavelmente, tinha dois sacos gestacionais, um evoluiu e o outro não. Para mim, isso ainda é mistério.
Estava muito ansiosa para parir minha pequena! Todos os dias a Juju e a Liba perguntavam se era hoje que a Duda iria nascer. Estavam muito ansiosas para assistirem ao parto.
Lia desesperadamente todos os relatos de parto, frequentava todas as reuniões do GAMA, preparei minhas filhas para estarem comigo nesse momento, e para assistirem ao nascimento da irmã, criei a cultura do parto fisiológico nas minhas filhas.  Estavamos contando as horas para ter a nossa princesa.
Ficava louca de ansiedade quando recebia as mensagens da lista de que alguém tinha parido. Pensava que iria ser a última a parir...minha ansiedade atrapalhou um pouco meus últimos dias de barriga. Já não aguentava mais sair na rua e escutar comentários de que eu "ainda" estava grávida, de que minha Duda "ainda" não tinha nascido e todas essas coisas agradáveis de se ouvir no final da gestação.
Com 38 semanas, começei a sentir cólicas e muita dor lombar. Para andar era um sufoco, pois estava com a sensação de que iria me partir ao meio de tanto que doia meu osso pélvico. As aulas de yoga me ajudaram bastante a me abrir. 

O TRABALHO DE PARTO

Com 39 semanas e 4 dias, uma quarta-feira de Agosto começaram as contrações. Não tive perda, apenas uma dor leve, chatinha e irregular. Estava em pródomos. Estávamos ha 4 dias do dia dos pais. Fiquei tão preocupada com a equipe, pois queria que curtissem o dia dos pais com a família, sem se preocuparem comigo, mas como ainda havia tempo, quem sabe as contrações não estacionavam ou engrenavam de vez.  O Joh foi trabalhar, mas estava bem alerta.
Liguei para a minha sogra, pois ela viria de Ribeirão Preto para o parto e para me dar um suporte com as crianças no pós-parto e deixei-a de sobre-aviso caso engrenasse o trabalho de parto.
Fui tocando a minha vida, como se nada estivesse acontecendo. Cuidando das crianças que ainda estavam de férias por conta da gripe suina, limpando a casa, lavando roupa, cozinhando e tudo mais que uma mera mãe/dona de casa precisa fazer no dia a dia. Quando vinha a contração, parava um pouquinho, respirava fundo e continuava o que estava fazendo.
Na quinta-feira, ficou assim o dia todo....irregular e um pouquinho mais forte que o dia anterior, mas suportavel como uma cólica intestinal.
Na sexta-feira, começou um pouco mais forte, mas ainda irregular. Eu estava muito ansiosa e isso estava atrapalhando. Não via a hora disso engrenar de vez. Liguei para a Ana Cris pra entender melhor o que estava acontecendo e escutei o que precisava para desencanar:
- Ana Cris, isso pode estacionar ou engrenar? Estou assim faz três dias, não aguento mais.
Ela que já é bem calejada, só de ouvir a minha voz e de ler os meus e-mails, já sacou que minha ansiedade estava fora do normal e me respondeu:
- Lili querida, não se preocupe! Isso só vai engrenar na segunda-feira, pois Domingo é dia dos pais e pretendo ir viajar com a família para um hotel-fazenda, mas se você precisar de mim, voltarei para te atender. Apenas descanse muito!
Respondi a ela que  como fazia três dias que estava assim, provavelmente ficaria assim o final de semana todo....ahahahaha - mal sabia do que estava falando. 
Foi desligar o telefone, liguei para a Cris Balzano e deixei-a a par de tudo. Ela me tranquilizou e disse que teriamos que esperar as contrações ficarem regulares. Desencanei muito e fui fazer o que precisava. Terminei de arrumar minha mala, arrumei as coisas das crianças e fui até a escola pagar a mensalidade. Nunca vou esquecer, pois foi na cadeira da secretaria da escola que senti uma contração bem forte. Precisei me conter, pois não queria que ninguém soubesse o que estaria por vir, que eu estava tendo uma contração bem ali,  pois teria que explicar que focinho de porco não é tomada e nessa altura eu queria paz e sossego. Saí de lá respirando fundo! Pensei que agora engrenaria!
Começaram as contrações muito fortes, mas irregulares ainda. Ficava tonta pois a rotina da minha casa continuava, eu, as minhas crianças junto com os filhos dos vizinhos brincando em casa e a dor cada vez mais forte. Tinha que me mostrar forte para não assustar os pequenos. Deitei e fiquei assim até me sentir um pouco mais descansada.
Entrei um pouco no computador para avisar a lista que estava em trabalho de parto. Me lembro da mensagem de todas as maternas me incentivando e mandando as boas vibrações. A mensagem da Fê Mouco foi engraçada, ela virou uma amiga internética após um episódio de confusão na lista. Ela dizia que era para eu sair do computador....rsrsrsrs
No cair da noite, as contrações começaram a ficar regulares e para minha surpresa, minha sogra chegou sem aviso. Ufa! Enfim, relaxei! Nada como ter alguém que pariu de forma natural ao seu lado para te tranquilizar! Foi a noite mais longa e mais emocionante da minha vida. Minhas contrações estavam de dez em dez minutos e ficou assim durante toda a madrugada. 
Não consegui dormir....os vizinhos que o digam, pois estava achando que o porteiro ligaria aqui reclamando do barulho!!!
O Joh ligou para a Dra. Andrea para passar o relatorio de como estavam as coisas.
Fiquei a madrugada sentada, pois deitar era impossivel. Tentei cochilar entre as contrações, mas não consegui. Levantava, andava, respirava, rebolava, ia para a bola, para o chuveiro, para o chuveiro com a bola, tentava emitir sons durante as contrações para ajudar, mas nada era confortável. A cada contração, cutucava o Joh para ele marcar o tempo. Coitado, estava dormindo e derepente acordava na maior pilha para contar. Ia para o chuveiro e batia na parede quando começava a contração. Fiquei assim até as 7 da manhã.  O Joh ligou para a Cris B. passando o relatorio e ela disse que estaria a caminho.  Tive vontade de fazer força nas contrações muito fortes e o Joh ligou novamente para a Cris que nos orientou a ir para o hospital. Nos encontraríamos lá. Eu não tinha vontade de sair de casa, naquele momento, queria ficar ali, quietinha, mas juntei minhas forças e rapidinho peguei a primeira roupa que vi na frente e saí toda destrambelhada e descabelada para o fino São Luiz. Ligamos para a nossa prima Vilma, que é enfermeira, trabalha no SUS, fez especialização em obstetrícia e o curso teórico de doula pelo estado. Convidei-a para assistir de perto uma equipe humanizada e uma doula com a mão na massa.
Ao entrar no carro, me lembrei da Carol da Helena que foi para o hospital de quatro, pois não conseguia sentar. eu estava exatamente assim, sem conseguir sentar,  com minhas filhas no carro, balançando e chacoalhando muito, faltou só o papagaio e os gatos.

A CHEGADA AO HOSPITAL

Foi o caminho mais longo da minha vida!  Um minuto parecia uma eternidade! Nos intervalos da contração eu olhava tudo a minha volta e pensava " ninguém imagina o que se passa aqui dentro...minha bebê está a caminho".
Meu marido estacionou o carro na porta da maternidade, desci do carro com minhas filhas com muuita dor. O segurança correu para me trazer uma cadeira de rodas, mas graças ao bom GAMA, meu marido todo afoito disse que não era necessário pois eu ia andando. 
Paramos para fazer a burocracia de hospital - papeladas para internação. Mais uma vez olhei a minha volta e vi muitos casais com cara de espanto e com os olhos arregalados para cima de mim. Com suas malinhas feitas, cabelinhos arrumados e unhas impecaveis eram as mães que estavam ansiosamente na recepção a espera de sua cirurgia cesariana eletiva.
Eu estava lá, em pé na recepção esperando meu "ticket" para me liberarem, toda descabelada e com a roupa amassada.  Felizmente me encaminharam para uma sala de "pré internação" enquanto meu marido ficou fazendo o restante da burocracia. Minhas filhas estavam comigo o tempo todo, apertando minha mão e tirando algumas fotos. A enfermeira mediu minha pressão, colocou o cardiotoco para monitorar por um instante as contrações e o coração da Duda, fez o toque para saber a quantas de dilatação eu estava. Nossa, 5 cm! Pensei: "ainda???" A enfermeira perguntou quem era minha medica para entrar em contato e passar as informações. Nessa hora, chegou minha morfina....rsrsrs - chegou a Cris Balzano, minha salvação!
Me senti segura e tão amparada só de ter a presença dela ao meu lado. 
Ficamos a espera da delivery, pois na recepção foi dito que ela estava ocupada. Era só o que me faltava nesse momento tão meu, eu ter que ficar em uma salinha apertada e claustrofóbica, completamente oposto a tudo o que eu tinha pensado para meu parto.
Eles tinham reservado a delivery para uma outra mulher em trabalho de parto que chegou antes de mim, mas para minha surpresa, liberaram a delivery para mim pois eu estava com 1 cm a mais de dilatação que ela…. Concorrência.
Fui andando com muita calma pelos corredores da maternidade acompanhada pela Cris Balzano, pela minha prima Vilma e pelas minhas princesas Júlia e Lívia. Em meio a contração, parava, respirava, aguetava firme e prosseguia.


O PARTO


Me lembro de chegar na sala delivery, ver aquela banheira enorme e ouvir no fundo, bem baixinho minha prima perguntando para a Cris Balzano se poderia dar uma analgesia em algum momento, oposto do meu plano de parto. Queria um parto natural, sem analgesia. Me preparei para isso a gestação toda. Foi só ouvir a palavra analgesia que começei a pedir " pelo amor de deus, quero uma anestesia agora!!!!"
A Cris Balzano me lembrou do meu plano de parto e sugeriu encher a banheira para mim. Fui tirando minha roupa pelo quarto e caindo na água. 
Fiquei o tempo todo dentro da banheira imóvel, quietinha e concentrada. Via o movimento da equipe na sala, minhas filhas e meus pais entrando para me ver, meu marido falando comigo e não dei nenhum pio.
 Estava muito concentrada, meditando, em alfa. 
Acho que não deixei meu marido chegar perto. Não queria ninguem com a mão em mim. Estava muito introspectiva. Escutava a voz doce e suave da Cris B. pedindo para que eu mentalizasse uma luz azul, que eu deixasse me abrir para receber minha bebê. 
Queria muito que a Duda nascesse na água, mas entrei cedo demais na banheira. 
Fiquei lá por quatro horas e meia, imóvel, quase que na mesma posição.  Quando tinha que me mexer para a equipe me examinar achava muito desconfortável e voltava para posição anterior. 
Entrei na banheira lá pelas 9 da manhã e umas 11:30/12hs, estava com 7 cm ainda. Evoliu pouco. Começei sentir os puxos e vontade de fazer força. As contrações estavam fortes. A Dra. Andrea sugeriu dilatar o restante que faltava na mão para entrar no expulsivo. Concordei. Ela foi dilatando aos pouquinhos até ter dilatação total. Na banheira, as contrações começaram a espaçar. Precisei sair da banheira e fui para o banquinho de cócoras. Fiquei lá fazendo força, mas não sentia as contrações. Não sentia dor. Não conseguia distinguir o momento de fazer força. O Joh, meu marido ficou comigo em todos os momentos. Me incentivou muito, apertou minha mão, me fazia cafuné e dizia palavras de incentivo no meu ouvido. Minhas filhas entravam na sala, me acariciavam e saiam para ficar com o restante da familia na sla de espera.
Começei a sangrar um pouco. Fazia força e nada. A Ana Cris chegou com ocitocina para eu inalar e nada. Não sentia dor, não sentia nada. Ela colocou a mão na minha barriga e me dizia o momento que eu deveria fazer a força. Escutava a equipe me incentivando - "vai, força Lili, ela está coroando! Dá pra ver o cabelinho já!" … mas não sentia nada! Nada de circulo de fogo, nada de dor, nada de nada!
Meus batimentos ficaram alterados, muito acelerados. Tive todos os sinais de uma ruptura uterina - sangramento e batimentos acelerados.
A equipe precisava agir rapidamente, pois se realmente fosse uma ruptura, eu e a Duda corriamos sério risco de vida. A Dra. Andrea decidiu usar o vácuo extrator 
Aparelho Vácuo-Extrator: o vácuo-extrator funciona como um aspirador de pó em miniatura e pode ser usado sem uma episiotomia. A ventosa é colocada na cabeça do bebê e ele é sugado para fora a cada contração. Isso produz uma saliência na cabeça do bebê como se fosse um galo, que desaparece alguns dias após o nascimento.  


A Ana Cris foi chamar minhas filhas para presenciar o nascimento da irmã. Elas chegaram eufóricas.
Na contração seguinte, em meia luz, com um som relaxante, nasceu a Maria Eduarda, mais conhecida como Duda. Ela nasceu na presença das irmãs, do papai e da equipe maravilhosa.
Minhas filhas se abraçaram, choraram e gritaram de tanta emoção. 
A Duda foi colocada em meu peito. O Cacá a cobriu com um lençol. Ficamos ali, nos olhando. As meninas pegaram na mão da irmã com muita felicidade. O papai chorou muito de emoção. Ela chorou um pouco. O cordão parou de pulsar e foi cortado pelas meninas com ajuda  do papai. Ela veio para o peito e mamou como nunca. 
A Dra. Andrea puxou a placenta para examinar minha cicatriz e o canal de parto e tentar descobrir o motivo do sangramento. Estava tudo ok, fora a laceração. A Dra. Andrea começou a sutura e disse que tinha uma pequena hemorragia que deveria ser da laceração mesmo, pois o restante estava ok. Me queixei de cólica, estava muito forte. Tomei uma injeção de ocitocina na perna para fazer o útero contrair. 
Quando a Duda estava saciada e cansada de sua jornada, o Cacá pegou a Duda, passou um paninho e a enrolou em um lençol para dar o primeiro banho - o de balde.
Naquele momento, nos apaixonamos pelo Cacá.  A Duda fixava seus olhinhos nele, e ele com muito carinho conversava com ela. As meninas ajudaram no banho e aprenderam a jogar a água na cabecinha da Duda.
Após o banho, levaram a Duda para o berçario central - burocracia - para dar entrada na internação dela.  Ela ficou lá por duas horas. 
Naquela altura, eu estava faminta! Queria comer um boi!
Implorei por uma comidinha que foi pedido pela equipe. Demorou muito. 
O Cacá saiu a caça de algo para eu comer. Me trouxe um brownie delicioso! Devorei!
Fiquei esperando para subir pro quarto. Lia nos relatos que a mulherada paria, levantava e ia tomar um banhão bem gostoso. Era tudo o que eu queria! Meu braço, mãos e dedos estavam sujos de sangue.
Todos foram embora e fiquei sozinha na delivery por uns 30 minutos, esperando vagar um quarto. Não conseguia descansar, só pensava na Duda, no banho e na comida....


O PÓS - PARTO

Cheguei no quarto louca por um banho. Fui orientada pela enfermeira que não poderia levantar "ainda", precisava me recuperar.  Passaram um "paninho úmido" em mim - uma péssima opção de banho.
Tentei dormir um pouco.
A noite, a Duda veio para o quarto. Percebemos que ela estava com os olhinhos irritados, bem vermelhinhos. Minha mãe disse que deram banho nela lá no berçário central, na vitrine, como se ela fosse um objeto de esposição. Fiquei puta da vida!!!! O Cacá como pediatra dela tinha avisado que ela já estava de banho tomado e não precisava fazer nada com ela, somente trazê-la ao quarto para ficar com a família, mas acho que são tantos bebês que a Duda acabou entrando na dança junto. Triste isso!
Impressionante como as mães da maternidade optam por deixar seu bebê no berçario por conta das enfermeiras. Ora, quem é a melhor observadora de bebês, a mãe que gerou ou a enfermeira? Toda hora vinha uma perguntar se eu queria que levassem a Duda para o berçário, irritante isso... 
De madrugada, tentei ir ao banheiro para fazer xixi - estava muito apertada - ao me levantar, senti uma tontura e o sangue escorreu em minhas pernas. Era como um assassinato de filme tipo CSI. O quarto todo ficou sujo de sangue. Precisamos chamar o pessoal da limpeza para limpar todo o chão. Chamei a enfermeira e questionei se isso era normal, pois nem na minha cesarea eu sangrei tanto na minha vida. Ela disse que era normal eu sangrar daquele jeito. Achei muito estranho...
Minha cólica continuava firme e forte. Pedi um remédio para cólica. As 4 da manhã, acordei de tanta dor e falta de ar. Eu estava deitada com falta de ar. As enfermeiras ligaram para a Dra. Andrea. Ela  pediu para  o médico plantonista da ginecologia ir no quarto me examinar. Ele examinou o sangramento e a laceração, colocou a mão por dentro, fazendo um toque e começou a tirar várias mãos cheias de sangue pisado, sangue coagulado. Meu útero não estava contraindo. Me colocaram um soro com ocitocina e um peso de 1 kg na minha barriga. Foi horrível. Novamente queria muito fazer xixi. A enfermeira chegou com uma comadre para que eu fizesse o xixi deitada na cama. Não consegui. Além da sensação de que eu estava fazendo xixi na cama tinha o agravante psicologico de que era impossivel pra mim fazer uma coisa dessas.
Na manhã de domingo do dia dos pais, a Dra. Andrea veio me ver - examinar. Ela tirou mais um monte de coágulo de dentro do meu útero. Falei para ela que estava muuuito apertada para fazer xixi. Ela resolveu me colocar uma sonda para que eu urinasse, já que eu não podia e não conseguia levantar. Saiu 1 litro de xixi. Ela achou  que era por isso que meu útero não contraiu. Fiz ultrasson e não deu nada, tudo normal.
Fiquei melhor do que estava de madrugada, mas ainda não estava bem. Nos meus exames, deu uma alteração de hemoglobina, estava muito a baixo do normal. Precisei de uma transfusão de sangue, pois tinha perdido muito sangue. No decorrer do dia, tomei duas bolsas de sangue. 
Me senti bem melhor, consegui almoçar sentada. 
A noite, estava muito sem fome e sentindo que eu "precisava" descansar. Estava muito sonolenta. Meu marido tentou me dar comida na boca, mas eu não conseguia nem mastigar. Adormeci. Acordei depois de uma meia hora com tontura e muita falta de ar. Começei a chorar, pois já não sentia mais minhas pernas nem meus pés - estavam brancos. Apartir daí, entrei em um estado de pouca consciência - desmaiava e voltava várias vezes.
Ligaram para a Dra. Andrea que chegou rapidamente. Eu precisava ir para o centro cirurgico para investigarem o porque da hemorragia. Toda a equipe que participou do parto retornou ao hospital para o procedimento. Estavam todos apreensivos, pois poderia ser desde a coisa mais simples -  uma curetagem -  até a mais punk -  retirada do útero. Como eu estava muito debilitada, o Dr. Ricardo-  anestesista - precisou me estabilizar para que eu pudesse tomar a anestesia.  Precisava de anestesia geral, porém, naquele estado que eu estava, era arriscado - tinha comido e estava fraca demais.
Tomei mais duas bolsas de sangue e uma de plasma.
Fiquei mais estavel. O Dr. Ricardo tentou me entubar algumas vezes, mas sem sucesso.
Tomei uma raque baixa para fazerem uma revisão no canal de parto. Precisaram cortar minha aliança - eu estava muito inchada.
Naquela hora, a Cris Balzano foi fundamental, pois ela me fez um maravilhoso trabalho alternativo - reiki - senti suas vibrações e um sentimento de paz acalmou meu corpo.
Não sei se adormeci, mas quando me dei conta, estava indo passar uma noite na Unidade de Terapia Intensiva - UTI
Acordei na manhã seguinte com os peitos cheios - vazando - eu estava ótima e louca para sair de lá.
Enfim, a Dra Andrea me deu alta da UTI e pude ir aproveitar minha familia com a mais nova integrante.
Assim que cheguei no quarto, me levantei, tomei uma ducha demorada e fui amamentar minha pequena que estava faminta!
Agora tudo deu certo!
A recuperação foi delicada por conta da hemorragia. Fiquei mais uma semana de cama em casa, até me sentir forte o bastante para me levantar. Descansava, comia, amamentava e dormia muito. Nada como estar em casa!